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Entrevista com Czeslaw Michalewski |
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Czeslaw Michalewski é professor de Filosofia na Escola Secundária Internacional de Sèvres (Lycée de Sèvres), em França. Conjuntamente com os professores de História e de Literatura, desenvolve um clube de filosofia na sua escola, onde procura promover debates e suscitar interesses entre os alunos sobre diversos temas. No ano anterior, iniciou um projecto europeu para discutir os conceitos de cultura, educação e Europa com parceiros dos novos países da União Europeia. |
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Qual é o objectivo do projecto Europa, Educação e Escola? Com o projecto Europa, Educação e Escola, os meus colegas e eu procuramos promover debates dentro e fora da escola à volta de questões sobre cultura, Europa e Escola. Como 2004 marcou um alargamento da UE e a abertura de um grande debate sobre o sistema educativo francês, decidimos enriquecer a nossa reflexão sobre estes tópicos trabalhando com escolas secundárias dos novos Estados Membros. Temos parceiros de francês na Lituânia, Hungria, Polónia, República Checa e Eslováquia.
Com eles, organizamos videoconferências, onde reconhecidos oradores recebem perguntas de diferentes países. A 17 de Março, Alexandre Adler, um reconhecido filósofo francês e perito em ciências políticas, vai falar com os nossos alunos sobre “o nascimento da consciência europeia”. Durante a conferência, será igualmente aberta ao público uma discussão em linha.
Ainda está disponível uma completa descrição do projecto em inglês, francês, alemão, lituano em : http://www.coin-philo.net/projet-eee.php
Como preparam a conferência? Que actividades desenvolvem durante o ano?
A Conferência é preparada através de intercâmbios semanais entre os alunos, durante o ano, onde discutem temas culturais e sistemas escolares. Podem aceder ao forum e ao chat, clicandoaqui.
Complementarmente, o centro para material pedagógico (CRDP) supervisionará a execução de documentários de 13 minutos sobre o sistema de ensino em cada um dos países, para os quais contamos obter o financiamento necessário no Outono de 2005.
Os documentários, que incluem entrevistas a personalidades culturais, políticas e artísticas, centrar-se-ão em três questões principais sobre o papel da escola:
- deve a escola proporcionar acesso à cultura, formar cidadãos ou treinar para uma profissão?
- pode a escola evitar o regresso a particularismos locais ou ao comunitarismo?
- pode a escola contribuir para a unificação cultural da Europa?
Mais tarde, motivamos os alunos a continuar com a realização das suas próprias produções, que reflictam as suas opiniões pessoais sobre os temas escolhidos em grupos.
Estes documentários ajudarão a compreender melhor as especificidades dos diferentes sistemas de ensino na Europa. Serão apresentados, com o apoio técnico da equipa de CRDP, na abertura da conferência anual e na Internet. Os centros culturais franceses ajudarão as produções nos países parceiros.
Como consegue obter o apoio para o vosso projecto dos institutos culturais franceses e embaixadas?
Fiz um primeiro contacto em Paris com embaixadas de países com quem temos relação e solicitei o favor aos adidos culturais que me fizessem uma lista de liceus francófonos bilingues nos seus países. Este pedido foi bem recebido por quase todos eles. Para encontrar os meus actuais parceiros pedi ajuda aos serviços franceses de cooperação e desenvolvimento cultural, porque considero que um projecto deste tipo necessita de aproveitar todos os recursos possíveis para se desenvolver, e precisa de ser impulsionado por uma verdadeira dinâmica cultural, que está para além das possibilidades de um único indivíduo. Verdadeiramente apoiado neste sentido pelo Director do CRDP de Versalhes, Pascal Cotentin, não hesitei em reunir todos os meios necessários para começar o desenvolvimento do projecto tão rápido quanto possível: cartas, conversações telefónicas, encontros informais em conferências ou eventos culturais organizados em Paris na altura do alargamento da União Europeia.
Neste aspecto, a acção eTwinning é uma excelente oportunidade para alargar e consolidar as nossas parcerias. O apoio dado por todas as partes contactadas pode ser explicado pelo facto do nosso projecto trabalhar com a questão da cultura e o seu papel na Europa do futuro, e cultura pode por si só unir, solidificar e, espero, inspirar um interesse duradouro.
O que é que o projecto traz para os alunos?
Tenho aprendido muito com os meus alunos, ou os meus primeiros alunos, sempre prontos a dar uma mão para o desenvolvimento do projecto. Sem as suas competências informáticas, o nosso sítio http://www.coin-philo.net nunca teria visto a luz do dia. Sem a sua insistência, nunca teríamos corrido o risco de iniciar um fórum de discussão neste sítio web, de acesso livre, e com uma equipa de voluntários a verificar a qualidade das mensagens publicadas. A correcção linguística, a qualidade das propostas, a confiança que se tem estabelecido, tudo me parece apontar na direcção de um clima pedagogicamente favorável e de um desenvolvimento do sentido de responsabilidade. Para os alunos envolvidos, este projecto uniu um processo de reflexão e o conhecimento de recursos oferecidos pelas novas tecnologias: ele demonstra que a Internet pode servir os interesses da educação e da cultura.
Mas eu estava também a pensar em outros dois benefícios, que não são apenas para os alunos, mas que se reflectem em toda a comunidade educativa. O primeiro mostra que a criação de um debate na Internet, mesmo que parcialmente bem sucedido, provoca por um lado uma importante sinergia transgeracional e, por outro, uma convergência de múltiplos e complementares talentos.
O segundo efeito com que se pode contar, talvez o mais importante, é realizar um inquérito, tão alargado quanto possível e partilhado entre alunos e professores ou pessoas interessadas, sobre a diversidade cultural que nos enriquece, sobre a diversidade linguística que invalida os nossos pontos de vista usuais e nos abre muito directamente à experiência dos outros e ao diferente. Perceber que isto não é um obstáculo à comunicação e à associação, mas, antes pelo contrário, é uma motivação, um convite até para aprender e alimentar bem fundo o nosso ser, o que significa compreender o poder unificador fundamental da cultura.
Se a Europa não é para ser reduzida meramente à ideia de um espaço económico, ou à forma de um qualquer frágil consenso político, mas se pelo contrário espera incorporar, mesmo que de um modo imperfeito, um certo ideal humano que pode ser partilhado pelos nossos contemporâneos e que por isso lhe dariam uma identidade real, está no sentido de que tentamos promover conjuntamente uma certa ideia de cultura com as suas premissas educativa e escolar.
Sem dúvida que é demasiado cedo para avaliar de uma forma precisa os resultados deste projecto. Devemos ficar satisfeitos, apesar de mais modestamente, no futuro imediato, aprendermos a usar as TIC, de uma maneira racional e integrada, a aprofundar o ensino, pelo uso intensivo das tecnologias de informação e comunicação.
Que conselhos daria a professores que gostassem de realizar um projecto semelhante?
O projecto possui uma dupla abordagem: promover um espírito de reflexão ou de discussão, bem como, progressivamente, usar as tecnologias digitais necessárias ao funcionamento do projecto. Para reflectir ou aprender a julgar significa que se podem fazer comparações, que se tem de conhecer a pessoa com quem se vai realizar o debate, que se corre um risco diminuto de diferenças inesperadas.
Há um enorme trabalho para ser feito na descoberta cultural, e isso requer abertura, paciência e coragem. Não se trata tanto do encontrar a particularidade mas mais de procurar o que pode unir as comunidades humanas.
Para nos apropriarmos progressivamente das tecnologias, temos rapidamente de aceitar o princípio de as experimentar e de correr o risco de apelar a competências técnicas superiores, que algumas vezes encontramos nos nossos alunos, mesmo que as tecnologias exijam realmente próximas qualificações profissionais . A dimensão pedagógica do nosso projecto nunca teria partido da estaca zero sem o apoio e a competência da equipa de produção da Academia na imagem digital, com Jean-Luc Gaffard, do Centre Régional de la Documentation Pédagogique de Versalhes.
O nosso projecto é francófono, mas a língua francesa não exclui as outras. Se for necessário, asseguraremos que a diversidade local do saber e de recursos linguísticos associados às secções internacionais do nosso Liceu de Sèvres estejam disponíveis para todos os nossos parceiros, dado o interesse do Liceu na exploração do papel da cultura na nova Europa em construção, através da colaboração a distância.
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Editor web: |
Myriam Cornillet |
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Última alteração : |
09/02/2007 |
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